Theo anda tristinho. Fico toda doída, pensando em como amenizar, sugar pra mim, as angustiazinhas dele.
Ok que ele é dramático. Por natureza. Mas mesmo assim, mãe que é mãe mergulha total nas dores dos filhos. E sofre. Muuuito.
A razão da mini tempestade? Morrer.
Há dias, entre uma distração e outra, me pergunta se vai morrer, pra onde vai e que não quer ficar num lugar desconhecido, especialmente se for sozinho. Diz ter ficado triste demais quando o Sr. Carl Fredericksen - de Up, Altas Aventuras - perde sua esposa, Ellie.
- Mamãe, não deu tempo deles visitarem o Paraíso das Cachoeiras... A Ellie morreu... fala cheio de tristeza.
Aí paro tudo, comovida, chateada, preocupada e, apesar do drama, achando bonitinho meu tiquinho querendo entender da vida. Todo ansioso, temperamental. Porque isso ele é, pra tudo!
Uma vez li que tudo isso faz parte de determinadas fases das crianças, e que, infelizmente, desde muito cedo, elas também passam por frustrações e pequenos questionamentos. São naturais e necessários.
Mãe consegue racionalizar isso? Difícil. Pra não dizer impossível; porque depois que parimos nossos pequenos herdeiros, tudo na vida se torna diferente, olhamos o mundo com menos egoísmo e individualismo, compreendemos mais facilmente algumas coisas e aprendemos tantas outras - a duras penas - mas aprendemos, nos (re)adaptamos e nos sentimos mais capazes e fortalecidas, mas a dor de um filho... Não há nada mais cruel e dilacerante para nós mães.
E morte? Assunto que tira o chão. Confesso que detesto, me entristece pacas.
Acredito que continuamos, de uma outra forma, num outro plano, sob as bençãos e amor infindáveis do Mestre; mas a saudade é fato, a dor da separação e da perda, também. Tanto para os que vão, como para os que ficam e temos que encontrar uma "compensação" para ela... Com o Theo procuro contar a verdade, enfatizando que continuamos, que dormimos e nos reencontramos em outro lugar, algum dia... usando uma linguagem que ele compreenda. Mais branda, mais florida, como disse a Fernanda Franken num post muito lindo, ela e seu mini... aqui.
E nestes altos papos, super importantes, sinto que ele entende muita coisa... do jeitinho dele, fica mais aliviado e eu, acabo saindo cheia de novas reflexões e com ideias mais reconfortantes sobre a morte.
"Porque a vida segue. Mas o que foi bonito fica com toda a força. Mesmo que a gente tente apagar com outras coisas bonitas ou leves, certos momentos nem o tempo apaga. E a gente lembra. E já não dói mais. Mas dá saudade. Uma saudade que faz os olhos brilharem por alguns segundos e um sorriso escapar volta e meia..."
Caio Fernando Abreu







