sábado, janeiro 8

TUDO NOVO DE NOVO?


Sexta-Feira é um dia bom. Daqueles que sopram novas energias.
Imagino que assim deva ser para a maioria dos mortais. É a aproximação do fim de semana, a ideia de descanso (se bem que... o que é descanso?) e de lazer que devem cochichar em nossos ouvidos todo o ânimo que, repentinamente, nos arrebata.

Está certo que, muitas vezes os sábados e domingos parecem mais atropelados que o restante da semana, mas mesmo assim, ainda são dias doces e super convidativos à muita diversão, e foi justamente o astral da sexta (apesar da chuvarada), que remexeu meus pensamentos, trouxe consigo esta brisa boa, fresquinha que me inspirou.
Claro que redigi o que vocês estão lendo, na companhia do Theo -  fiel parceiro -  ouvindo-o cantarolar Cabeça, Ombro, Perna e  Pés, Perna e Pés... junto com o Charlie e com a Lola, mais a Sofia perguntando se e já estava acabando. Mas acho que dei conta de concatenar todas as ideias, afinal nós mães somos especialistas ( e das melhores) no Fazer tudo ao mesmo tempo agora!

E aproveitando a inspiração para falar de 2011, tenho a ligeira impressão de que ele será mais corrido que o ano anterior (será essa a ordem natural das coisas?).
O marido vive me dizendo que essa história de Ano Novo, é mesmo daquelas Pra Boi Dormir, que a sequência de acontecimentos segue seu curso de uma forma ou de outra; Eu ouço. E penso... mas o coração é teimoso e (quase que) irremediavelmente se anima quando o marcador pula do 365 para 1, e começa tuuudo de novo; entrando numa espécie de fleuma todo particular, respirando uma atmosfera diferente, revigorante e cheia de sonhos (coisa de mulher? Não sei... mas eu gosto).
De todo modo, o que importa é a força, o otimismo e o amor que iremos colocar em nossos projetos e planos dentro desta fase, seja ela novinha em folha ou apenas continuação daquela que já vinhamos trilhando.

quinta-feira, dezembro 30

DE 2010 (PARA 2011)


E um ano novinho vem caminhando em nossa direção. E nós na dele.
Pensando assim da pra sentir desde já que esse encontro promete! E como não esperar com ansiedade?
Não. Definitivamente não dá. Não há como não fazer planos, renovar votos, repensar o que passou. E tudo isso com muita alegria, porque mesmo que os 365 dias que ficaram para trás tenham sido de muita turbulência, desafios (em sua maioria enriquecedores) e incertezas, o fechamento de um ciclo e o início de um novo, sempre nos inspira, anima e renova (de alguma forma); além disso é verão, aquela estação forrada de cor e sol, a quem também já dediquei um post, claro.
Se o ano de  2010 já vai indo, por assim dizer, o momento de olhar nos retrovisores é agora. Depois é se despedir e seguir focando o que vem adiante.
Da minha parte tenho muitíssimas coisas a agradecer (preciso fazer isso entre um pedido, entre uma expectativa e outra).
Se pudesse comparar meu ano a algum filme, por exemplo, teria que ser um bem agitado, engraçado e... romântico... De saída pensei em: Noiva em Fuga (é divertidíssimo e tem final feliz) e Corra Lola Corra (este é o retrato da corrida contra o tempo, não só da minha, mas de muitas rotinas por aí. Além de ser hilário e fazer parceria com uma trilha sonora da- quelas). Depois, achei que  As Horas, completaria com os demais ingredientes. Taí uma boa dose de drama e complicação,  companheiros do universo feminino, em maior ou em menor grau...rs. De tudo, é agradável a certeza de que o saldo do período é positivo. 
A vida de mãe ensinou deveras, a de profissional está caminhando - a passos de formiguinha, como disse a Fê Franken em uma postagem que a-mei -  cheia de projetos (levada à certas doses de ansiedade, confesso), a de esposa...bem, essa é uma aventura!
Foram muitos cafés (inesquecíveis), encontros com amigos (mais que especiais), o blog e os amigos blogueiros, alguns tombos,  e muito, muito aprendizado.
O que não foi feito carrego comigo para a fase seguinte, não como problema ou algo inacabado, simplesmente, mas como elemento motivador, sempre. 
E nesta vibração, espero abraçar e ser abraçada por 2011. Que seja um ano de trabalho, realizações, soluções e conquistas, a todos.
Beijo graaaande and...
Cheers!

terça-feira, dezembro 21

UNICÓRNIOS



Recentemente fui pega de calças curtas, surpreendida por mim mesma, por minha falta de traquejo assim dizendo, para lidar com uma situação, no mínimo, delicada: a mentira.

Todos nós passamos por essa jornada atravessando fases. Primeiro a infância que eu, particularmente, acho a mais bonita, mágica e especial. Absolutamente normais as mentirinhas desta fase.
Já na adolescência, de um trecho em diante, mentir torna-se problemático se o quadro assumir um contorno repetitivo compulsivo ou extremamente  fantasioso.
Se isso acontece e perdura até a fase adulta, traz muitos outros transtornos e sofrimento, tanto ao mentiroso quanto aos que o cercam. As mentiras ou omissões podem se tornar sistemáticas, sem razão aparente, assumindo caráter de vício, e é sobre isso que eu gostaria de falar hoje, no blog (Antes um pouquinho sobre os pinóquios da vida, mesmo que meio "en passant", pra que possamos montar o quebra cabeças, caso situações complicadas passem por nós... ou nós por elas...).

E eles podem ser:
Compulsivos: Como citei acima, inventam mentiras desnecessariamente para evitar ou livrar-se de problemas. A questão é que isso torna-se uma constante e frequentemente desencadeia outros transtornos e depressão.

Patológicos: Estes são os que inventam os cenários praticamente fabulosos. Lendo isso ou imaginando a situação, o primeiro pensamento é o de uma história exagerada, cheia de buracos e que não pegaria nem o Theo como ouvinte. Porém, esse tipo de mentiroso é ardiloso, suas histórias são sempre bem montadas e muito bem alicerçadas. O poder de persuasão do indivíduo é alto, comunica-se muito bem , é extremamente articulado e suas invenções são sofisticadíssimas. Normalmente quem escuta acredita, se compadece e tira a roupa para vesti-lo, se não abrir os olhos (e os ouvidos). 

Brincadeiras à parte, o que mais me chamou atenção foi observar e depois constatar que na maioria dos casos ( no meu, tenho observado há um bom tempo. Não é do dia para a noite que podemos perceber que fomos ou estamos sendo ludibriados por uma pessoa como essa), quem sofre deste tipo de Transtorno de Personalidade, não demonstra emoções ou preocupações ao enganar. Todo esse processo pode se tornar cada vez mais bem concatenado com o passar do tempo,  e todo ele, na maioria dos casos, é fruto de medo - especialmente da rejeição - , falta de auto estima e insegurança, segundo especialistas.
Como disse, demorei para perceber e ainda custo a crer. A sensação não é das mais agradáveis, e a mentira pode ser ainda mais difícil quando descobrimos que vem de uma pessoa próxima, que confiamos.
Minha primeira atitude foi a de me preocupar. Fiquei super chateada, contudo a preocupação de  me proteger, foi maior. Provar a descoberta também não é tarefa fácil; por enquanto estou guardando pra mim, deixando que o tempo e o bom senso dos que convivem com a pessoa,  providenciem para que percebam por si.
Sigo tranquila, mais alerta e carregando mais este aprendizado: Confiar requer cuidado.
De tudo, o intuito maior do post é o de salientar que apesar dos tantos pesares e percalços, podemos ainda aprender, praticar o perdão e crescer. Muito.

E você, costuma contar umas mentirinhas além daquelas naturais (rs)?
Já passou por uma saia muito justa contando ou descobrindo uma mentira grave?

Delicado o assunto, não é?
Quando pensei em publicar achei que nossas discussões seriam bastante produtivas, por aqui.

Beijos a todos!


domingo, dezembro 19

UM SONHO ESPECIAL


Ainda esticada na rede, Tamara relembrava seu sonho. Fora numa dessas cochiladas rápidas,  que revigoram mais que noite plena.
No sonho, passeava por alguns cômodos de sua atual existência, revivendo fases, sensações e alguns mistérios já  deixados para trás... alguns resolvidos, outros aguardando momento oportuno.
Com uma calma peculiar pôde conversar com velhos amigos, repartir sorrisos, provar  de  familiares "frios" na barriga, abraçar sua avó...  
No casarão que fora cenário principal de sua infância, a fachada amarelada era a mesma...rústica, cheia de janelas. 
Logo na entrada o cultivo de alecrim e manjericão da matriarca perfumava os arredores.
Tinha também capim-cidreira e hortelã, exclusivos dos chás da tarde.
Na sala, paredes verdes meio descascadas, quase que cobertas  por  tantos retratos. Até o daquele sujeito  desconhecido que sempre lhe intrigara estava lá. Era dono de uma expressão sisuda, imponente... Nunca entendera porque ele compunha as lembranças de família; também nunca perguntou. O aparador predileto de sua tia continuava ali, forrado pelos velhos crochês,  acompanhados unicamente de um solitário...
Sentou-se.
Assistiu algumas cenas de telenovelas junto de seu avô. Ele, entre uma cena e outra, ajeitava os óculos e sorria-lhe satisfeito.
Lá fora divertiu-se com os primos, comeu fruta do pé. Era raro a Mangueira do quintal ficar tão pesada, tão repleta. E aquela era de suas frutas favoritas.
Logo chegaram seus pais. Tamara adorava observá-los.
O pai era para ela aquele "tipão", como se dizia antigamente; a mãe aquela dona charmosa, cheia de encantos, cabelos bem negros, até o ombro, anelados como ela gostaria que fossem os dela. 
Ambos entreolhavam-se apaixonados, bailando juntos um matrimônio que só poderia existir mesmo em  seus sonhos ou em um desses filmes de ficção ultra-modernos, meio complicados de entender...
Como são bonitos! - indagava bem baixinho.
A tarde que se achegava trazia junto, além do chá de cidreira, bolo de fubá e pão quentinho, que ela adorava comer com manteiga. O avô não deixava faltar.
À noite deu para observar  aquela mesma constelação que fora ouvinte de tantos segredos de infância.  Era noite quente, como dessas agradáveis de verão... Fechou os olhos.
O sol seguinte brilhara  diferente; claro, revelador, puro... como olhos transparentes de criança. Encorpado, bonito; tocando sua fronte levezinho, como quem tem medo de despertar o outro do sono providencial.
Seu despertar foi lento, suave... o EU vinha lá de longe, como de uma longa caminhada pela praia. Sentia-se alegre. 
Vislumbrava o amanhã mais colorido. Estava ansiosa por pintá-lo.
Certamente as próximas horas do dia a convidariam para algumas reflexões.
Por hora um chá bastava-lhe.
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