segunda-feira, agosto 15

UM, DOIS FEIJÃO COM ARROZ, TRÊS, QUATRO FEIJÃO NO PRATO, CINCO, SEIS TUDO OUTRA VEZ


Domingo, dia dos  pais, não pude estar com o meu. Mas o coração e os arquivos de infância estavam mais que remexidos; deu aquela saudade de um tantão de coisas... meu pai aconselhando, meu pai ensinando, meu pai bronqueando (e feeeeio).
A vida é cheia de presentes pra gente, distribuidos em suas tantas fases, todas bonitas, todas marcantes a seu modo; e são tão boas que eu, invariavelmente, tenho vontade de reviver algumas, sem contar que continuo ansiosa, pensando nas seguintes...
...É, aquele passeio no tempo... acontece sempre!
No domingo, talvez pela data especial, recordei alguns episódios.
Aos 7 ou 8 anos, desfilando com as gargantilhas, saltos e maquiagem de minha mãe, querendo pular alguns estágios e ir logo para os 18, 20 anos. Sonhando crescer... (Familiar? rs)
Mais adiante, me imaginava dentro dos 30, desfrutando tudo de maravilhoso que minhas fantasias e desejos moldavam para o pacote balzaquiano.
(Meu pai, sempre presente nestas "etapas", dizia: Mi, aproveita sempre o hoje, na sua vida... E ainda parafraseava os Paralamas: O Trem da Juventude é veloz.)
Aí ok.
Cá estou, falando diretamente dos meus 30 e poucos, embalada de leve por uma vontade traiçoeira de dar um pulinho no passado, ver outra vez tudo isso que guardei por lá. (Curioso, né?)
Não, nada de arrependimento. Pura e simplesmente a vontade meio torta, feminina de buscar alguma coisa nos arquivos mais antigos... Talvez tempo ou a disposição dos 20 para cuidar da prole. (Passa pela cabeça aquela frase brega: Se eu tivesse o corpinho de antes com a cabeça de hoje... huuum). Depois tudo volta aos eixos, acho até meio natural.
Cada porção de anos, cada fase da vida, é boa. E mesmo que alguns momentos exijam de nós muita paciência e bom humor (só pra ajudar),  os balanços gerais comumente são positivos, se olharmos com verdade e um tantinho de complacência para o que já erguemos ou tentamos erguer.
Coincidentemente - ou não - no fim de semana a Sofia (filhota com 7 lindos anos, japa linda, linda de viver da mamãe) e eu conversamos:

- O que foi Sô? Por que o bico?

- É que eu queria ser adulta, não gosto mais de ser criança!

- Ah é? E por quê?

- Porque os adultos podem fazer um montão de coisas, tipo dormir tarde e  pegar as coisas sem pedir para ninguém...

- É, mas você é criança. E ser criança é bem divertido, da pra brincar bastante e fazer muitas outras coisas bacanas.
(Mas o que fui logo escutando em alto e excelente som, foi:)

- Tá mamãe! Mas eu quero mesmo ser aduuulta. É beeem mais legal!


terça-feira, agosto 9

RECEITAS


Cozinhar e colecionar receitas não é das coisas que mais curto (ou sei) fazer. Fico, por assim dizer, no time dos admiradores dos artistas culinários.
O máximo que  arrisquei escrever sobre o assunto, foi um post de título Receita de Felicidade que era, na verdade, mais um registro de um trabalho escolar dos meus filhos - desses que mãe babona adora ficar olhando e olhando - que um texto puramente meu. De qualquer forma é uma das coisinhas mais especiais que o blog carrega sobre o Theo e a Sofia.  Quem quiser esse passo a passo completinho, tá tudo aqui.

Há algumas semanas sem postar nada, confesso que me derreti (de novo) ao reler sobre  os doces ingredientes citados na receitinha dos pimpolhos e o modo simples  como seus coraçõezinhos reuniram tudo o que faz (ou deveria fazer)  felicidade.
Crianças são assim. Cheias  desse belo que sempre falamos - e ouvimos -  que  também deveríamos ter. E é bom... Tanto a ideia em si, quanto a possibilidade de podermos adquirir ao menos um pouco dessa beleza, todos os dias. Acho que é aquela história de  eternos aprendizes; o que não fiz ontem posso realizar hoje e o que não alcancei hoje, pode perfeitamente ficar para amanhã, um dia que ainda não está pronto, que se abrirá como uma chance nova  para ensinamentos e aprendizados.
Felicidade é algo que nos toma o pensamento... estamos sempre querendo ser feliz, nos preocupamos com mil coisas chatésimas (que não cabem aqui), sem nos atentar às tais chances.
Chance é felicidade pura, e compõe cada minuto, cada instante do dia novo que recebemos.
Obviamente aquelas incertezas, as probabilidades matemáticas que uma coisa tem ou não de acontecer, e que vêm junto das tantas oportunidades, freiam muito do que gostaríamos de arriscar... ao mesmo tempo contornam a vida de uma emoção que é praticamente combustível para o que pretendemos construir.
É, felicidade não tem mesmo receita ( uma máquina do tempo talvez ajudasse... Programar dia e hora pra desembarcar no futuro só pra dar uma espiadela e voltar).
No máximo é possivel colocar um punhadinho a mais de açúcar aqui ou ali, um sorriso no rosto... no mais é ficarmos atentos às fases lindas dos nossos filhos, curtir os bons momentos ao lado dos amigos e do amado, comer um doce. Lembrar que bonito mesmo é o simples da vida e é ele quem nos completa e faz feliz de verdade.
 

Este mês fiz aniversário (fica meu obrigadããão aos amigos pelo carinho, pela pilha de recados no facebook, pelos telefonemas e outros tantos mimos), passei por momentos cheios de alegria, já comi o que deveria e com certeza o que não deveria, senti muita falta dos amigos daqui...
O que a montanha de afazeres não permitiu, o pezinho imobilizado vai dar, que é mais tempo para o blog. bjks.



quarta-feira, junho 22

DO EU FEMININO

Certa vez, li que nós mulheres somos generosas. Que a generosidade é uma de nossas maiores virtudes. 
Não ouso descordar.
Nos doamos aos maridos, incondicionalmente aos filhos, nos dedicamos no trabalho.
Dando uma espiadela aqui e ali é fácil nos recordarmos de mulheres notáveis, como Madre Tereza e Zilda Arns (e tantas outras), que não somente deixaram gravados seus ensinamentos sobre amor e solidariedade, como também falaram muito sobre generosidade. De tantas formas. E quando paramos e  observamos seus feitos - e aos nossos -  da uma satisfação enorme ao perceber como nos entregamos e somos capazes de dedicar atenção integral ao outro. De corpo e alma. É algo nosso, do Eu feminino.
Ao mesmíssimo tempo, queremos ainda cuidar de nós. Conseguir tomar três litros de água por dia, fazer, ao menos, trinta minutos de exercícios diários, ver um bom filme, viajar, fazer compras... Sim, queremos fazer compras (rs)...
Hoje, nossa rotina é deveras atribulada, e para que nosso "desfile" diário tenha aquela cadência perfeita, muitas vezes é necessário resgatar estas pequeninas coisas que nos compõem, que compõem nosso universo e, juntamente com carreira, casamento e filhos, completa nosso mosaico, deixando-o pleno.
É... desacelerar, separar dentre aquela fila de afazeres um tempo para si, para se refazer e se reconhecer. Mesmo que para isso, seja preciso reike, psicanálise ou qualquer outro caminho mais exótico.
Armas para não deixar a peteca cair, certamente temos. E neste trajeto, nos cuidarmos e nos amarmos também é fundamental.


Amigos e leitores, obrigada pelo carinho e presença constantes. Um blog é, acima de tudo, feito disso!
Um bom dia e um excelente feriado a todos!


sexta-feira, maio 27

E NA HORA DE GUARDAR OS BRINQUEDOS...


Guerra a vista!

Em casa quando chega o momento pós-diversão, tudo se complica. São caras feias, muita manha e até lágrimas.
Nestas horas não sei se mantenho a psicologia ou se apelo para as frases de efeito:
- Ou organizam tudo, ou vão para o castigo!
- Tudo no lugar ou não tem passeio no fim de semana...
Já ouvi que não devemos elogiá-los ou prometer uma coisa em troca de outra, porém também já discutimos - aqui mesmo entre mães blogueiras - , a diferença entre o real e o perfeito ou imaginado. 
Alguns momentos na vida de mãe (e são muitos), exigem  mesmo que respiremos, contemos até o quanto for possível e somente depois voltemos à situação de estresse.
No caso dos brinquedos, especificamente, percebo que se tenho "frases feitas", a cria não fica atrás. E na hora de guardar ouço desde ...Mamãe tô cansada, até Ah, com isso eu não brinquei... 

(Há uns dias numa roda de pais, rimos ao concordarmos que em certas ocasiões a vontade e de não deixá-los brincar (estes pecadinhos maternos têm perdão?), quando imaginamos a catança de pecinhas, carrinhos e etc, que vem logo em seguida.)

 Mas brincadeiras e risadas à parte, a questão da arrumação não é apenas chatice de mãe. Sabemos que por aqui passam o senso de organização e responsabilidade, mais tantas outras coisas essenciais para as bases das crianças.
Brincar (como a Chris Ferreira fala de maneira tão especial no Inventando com a Mamãe. Bjo Chris). 
Também estamos mais que cientes de que além de gostoso, é direito dos pequenininhos e deve fazer parte da infância. Por outro lado, sem regras e disciplina nada funciona. Ouvia isso do meu pai e hoje costumamos rir destes episódios quando estamos todos juntos (ele, eu a Sofia e o Theo).

E depois de muitas crises, passei a tentar incentivar meus filhos deixando mais evidente que, arrumar tudo também pode ser bem legal; que ao procurar um brinquedo ou livrinho de leitura, eles estarão lá naquele lugarzinho, sempre esperando por eles. Não estariam mais perdidos ou quebrados.
Na maior parte das vezes participo da arrumação (tento escapar, sim... mas ainda não dá) e sinto ambos mais animados. Vamos colocando cada coisa em seu lugar e a ideia de que aquilo também pode ser divertido, fica mais real. Depois de tudo ajeitadinho, eles ficam cheios de orgulho do próprio feito (rs). 

Estou aprendendo... a entender e a ensiná-los. Com firmeza, respeito e carinho. Como tudo na minha vida de mãe.
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