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sábado, julho 28

Sabores



Uma vez ouvi do meu pai que o tempo corre depressinha, que a vida é feita de fases e que muita coisa nestas fases eu poderia não achar fácil, especialmente se  não me preparasse para tanto.
Posso confessar sem maiores culpas que, naquele momento, não dei bola. A atenção foi total (senão tinha bronca). Olhava bem para as expressões sérias dele, repetindo suas palavras, pensava um pouquinho e pronto, passava. Acho que somente o tempo amadurece algumas ideias e, com bastante esforço (e mais algumas coisinhas), o saldo lá no final  mostra uma carinha bem amiga, bem no estilo... "Ok, você fez um bom trabalho!"
E assim tem sido. Vêm as fases, faço umas pausas (curtinhas, ó só), penso, coloco cada pedacinho de tudo na balança e, depois de observar - sempre - que gastei bastante com roupas e livros - me alegro por perceber e sentir que não posso me queixar de muita coisa. Existem conflitos, dúvidas cruéis,  aqueles momentos Ser ou Não Ser (vários), mas no apanhado geral, há muito a agradecer.  Desse tanto, vêm junto as lições. E dignas de celebração, também.
 E as perdas?
Quando perdemos (ou achamos que), o coração se revolta, porém aprende até. Depois, mais tarde, conseguimos enxergar que era tudo necessário. Brutal e vital.  São etapas cruciais; Vão lá no íntimo e reviram tudo. Mas com força, atravessamos. E na volta a  bagagem está refeita e  cheia de tesouros. Daqueles que não perecem (imagino que era sobre isso que meu pai conversava, para isso que ele insistia em me chamar atenção).
Sim,  da para tirar destas horas, aparentemente, ingratas uma vastidão de novidades. 
Numa destas,  há os que aconselham, que profetizam, que invadem. Há ainda os que se calam e vibram baixinho por nós (se bobear são os mais corretos), mandando aquele Axé, como costumo ouvir da amiga queridíssima Neide (amo!).
Aí paro. E penso de novo.
Passou tudo. Ficou bastante.
O sol está lá fora. Tem o suflê de cenoura do marido. Os versos que recebi dele quando meus filhos nasceram... os perfumes inesquecíveis (e as tantas recordações junto deles)...
E os shows bacanões? Os amigos coladinhos bem pertinho? Ah, é bom.
Tem a receita de alcachofras da minha madrinha... O céu de inverno. Lindo, lindo. Cheio de contrastes.

Ah, e claro, tem o JK IguatemE, porque não sou de ferro. E mais tudo o que merecemos!

Viva!

terça-feira, abril 17

Nada será como antes... amanhã



Elis emociona. Adoro.
Suas músicas embalaram minha infância e, certamente, a de muitos amigos por aqui.
Aprendi a escutá-la com meu pai; cantávamos juntos e me lembro que rodopiávamos as mais agitadinhas como Paz e Madalena. Perfeitas na voz dela.
Este ano alguns shows e exposições acontecem para relembrarmos e curtirmos um pouco mais de sua obra e de sua  história. Lá se vão três décadas sem ela.
Os eventos estão acontecendo através do Projeto Viva Elis, idealizado e  criado  por seu filho primogênito - João Marcello Bôscoli.
Leia mais sobre os shows,aqui.

Abaixo,  algumas fotos lindas, dessa artista maravilhosa:


Em show no Canecão (Rio - 1970)


Com o filho João Marcello


Show Falso Brilhante (1975)



" A energia desse movimento vem da única força realmente transformadora: o Amor!"
                                                                                                            João Marcello

 
P.S.: Hoje, 17/04, é aniversário da minha Sofia! Filha, esse post é pra você. Bjo da mamãe!



Todas as fotos: Revista Elle

segunda-feira, outubro 17

Mães e filhas

Quando engravidei da Sofia, dizia  desde o início - e com propriedade - que seria uma menina. É, simplesmente eu sabia. Certamente são estas coisas que somente a espiritualidade explica; nada do que tange apenas o material é capaz de justificar estas certezas que parecem começar lá trás, no instinto.
Desde os primeiros meses sua presença era delicada em meu ventre, dando  suavidade ao que eu já conhecia e às coisas que eu executava. Mexia de levezinho e me fazia companhia  durante os longos dias de trabalho na agência.
Olhando para ela hoje, vejo misturadas essa doçura e fragilidade às traquinagens de criança, diferente do Theo, dono de um desasossego bem típico... aquele q de moleque intrépido, mais apimentado. 
Rezam alguns sábios ditados e teorias, que meninas, normalmente, são mais ligadas ao pai, os têm como heróis. Raramente vejo diferente entre pais e filhas. Porém nós mães, somos a primeira e mais forte referência para nossas mocinhas; E como elas nos admiram, não é? 
Sim,  é uma relação de carinho e admiração, de laços bem estreitos, que depois,  naturalmente, vai se modificando, passando por fases, ora mais fáceis, ora mais complicadas e nesta trajétoria, nossa responsabilidade é grande, pois mesmo que as demosntrações de afeto tornem-se mais latentes, seremos sempre o exemplo para os filhos, especialmente as filhas, seja para o que elas devam fazer, seja para o que não devam. Somos nós, antes de qualquer outra amiga, quem as ensinam sobre autoconhecimento, sobre feminilidade.
Sem precisar me aprofundar nisso tudo, me recordo logo da minha mãe. De uma relação extremamente complicada e super conturbada, com uma mulher que, mais tarde, descobri tão forte e tão decidida a fazer ou não as coisas, quanto eu. Calma, cheia de olhares... que de algum modo  eu contemplava, tentava decifrar.
Era destas mulheres vaidosas, caladas, incógnitas (hoje é mais tranquila)... Ah e como eu olhava, olhava...
Não, nunca foi de muita conversa, ao menos não comigo, o que sempre lamentei. Mas sinto que de certa forma, isso ela me ensinou e com destreza, a  não fazer; Sofia e eu passamos sempre muito tempo papeando e sempre terminamos abraçadinhas,  aconchegadas por muitos sorrisos, sempre. 
Foi e ainda é, uma escalada de desafios, meu relacionamento com minha mãe, mas...
Mãe é mãe. Nós as temos sob muito carinho e muito afeto e quando as nossas  menininhas nascem, entendemos muito do que havia ficado perdido ou mal explicado, continuamos seguindo, aprendendo e acima de tudo amando muito mais, nossas mães e nossas filhas.

Mês passado a Revista RG trouxe uma super matéria que me inspirou o assunto. Falava um pouquinho sobre Dina Sfat (nome artístico adotado em homenagem à sua mãe).  Por tudo o que já ouvi,  ela foi mais que referencial, não só para suas filhas, como para toda uma geração. Uma mulher livre, bonita e dona de uma história emocionante, que minha mãe adorava me contar.

Separei algumas fotos e divido agora com todos, especialmente com  mães e filhas:

Com o marido Paulo José, e as filhas: Ana, Clara e Isabel.
Corujice!


Além da beleza, destacou-se por
sua expressividade, inquietude e empatia com os palcos, 
projetando-se rapidamente no meio artístico.


Com a amiga Renata Sorrah em 1972


 Como Amanda na primeira versão de O Astro.
Diva, segundo minha mãe rs.

"Diva sem ser, referência politica sem querer, Dina soltou o verbo nos palcos brasileiros e fez história nas novelas da globo." Revista RG

Fotos: Google
 e Revista RG


Beijo mãe
Beijo Sofia e
Beijo Theo

segunda-feira, agosto 15

UM, DOIS FEIJÃO COM ARROZ, TRÊS, QUATRO FEIJÃO NO PRATO, CINCO, SEIS TUDO OUTRA VEZ


Domingo, dia dos  pais, não pude estar com o meu. Mas o coração e os arquivos de infância estavam mais que remexidos; deu aquela saudade de um tantão de coisas... meu pai aconselhando, meu pai ensinando, meu pai bronqueando (e feeeeio).
A vida é cheia de presentes pra gente, distribuidos em suas tantas fases, todas bonitas, todas marcantes a seu modo; e são tão boas que eu, invariavelmente, tenho vontade de reviver algumas, sem contar que continuo ansiosa, pensando nas seguintes...
...É, aquele passeio no tempo... acontece sempre!
No domingo, talvez pela data especial, recordei alguns episódios.
Aos 7 ou 8 anos, desfilando com as gargantilhas, saltos e maquiagem de minha mãe, querendo pular alguns estágios e ir logo para os 18, 20 anos. Sonhando crescer... (Familiar? rs)
Mais adiante, me imaginava dentro dos 30, desfrutando tudo de maravilhoso que minhas fantasias e desejos moldavam para o pacote balzaquiano.
(Meu pai, sempre presente nestas "etapas", dizia: Mi, aproveita sempre o hoje, na sua vida... E ainda parafraseava os Paralamas: O Trem da Juventude é veloz.)
Aí ok.
Cá estou, falando diretamente dos meus 30 e poucos, embalada de leve por uma vontade traiçoeira de dar um pulinho no passado, ver outra vez tudo isso que guardei por lá. (Curioso, né?)
Não, nada de arrependimento. Pura e simplesmente a vontade meio torta, feminina de buscar alguma coisa nos arquivos mais antigos... Talvez tempo ou a disposição dos 20 para cuidar da prole. (Passa pela cabeça aquela frase brega: Se eu tivesse o corpinho de antes com a cabeça de hoje... huuum). Depois tudo volta aos eixos, acho até meio natural.
Cada porção de anos, cada fase da vida, é boa. E mesmo que alguns momentos exijam de nós muita paciência e bom humor (só pra ajudar),  os balanços gerais comumente são positivos, se olharmos com verdade e um tantinho de complacência para o que já erguemos ou tentamos erguer.
Coincidentemente - ou não - no fim de semana a Sofia (filhota com 7 lindos anos, japa linda, linda de viver da mamãe) e eu conversamos:

- O que foi Sô? Por que o bico?

- É que eu queria ser adulta, não gosto mais de ser criança!

- Ah é? E por quê?

- Porque os adultos podem fazer um montão de coisas, tipo dormir tarde e  pegar as coisas sem pedir para ninguém...

- É, mas você é criança. E ser criança é bem divertido, da pra brincar bastante e fazer muitas outras coisas bacanas.
(Mas o que fui logo escutando em alto e excelente som, foi:)

- Tá mamãe! Mas eu quero mesmo ser aduuulta. É beeem mais legal!


terça-feira, novembro 30

AINDA SOBRE NÓS (SUPER) PAIS...E FILHOS


Dia desses lendo Mário Prata, peguei uma crônica com o título: Criança diz cada uma...

Nem preciso dizer  porque parei pra ler...
Só não sei se dei mais risadas dos "causos" ali narrados  (vocês certamente já imaginam o teor das histórias, especialmente quem tem filhos, sobrinhos e afins), ou do próprio autor, se divertindo com as frases inusitadas dos pirralhinhos.

E nessa levada sobre filhos, pais e suas peripécias, imaginei alguns possíveis trechos daquelas crônicas (impublicáveis), que seriam inspiradas nos exageros daquele que, com muito amor, me criou.
Claro que sucumbi à tentação de dividí-los com todos, visto também que, pelos comentários do meu último post sobre o assunto ( Super Pais e Super Mães), entendi que outros pais fazem companhia ao meu, no quesito babação deslavada (em tempo, confesso que na qualidade de mãe,  faço parte desse time rs).


Assim, baseados na essência do ser paterno, aqui estão trechinhos do que, tenho certeza, dariam boas crônicas:

- Vou dizer aos policiais parados em frente a sua casa, que a carteira que você perdeu já foi encontrada...
- O quê???
- Ah, coloquei polícia nisso, sim!
***

   E olhando a expressão confusa da filha, ele arriscou:
- Bem, eu seguia o ônibus que te levava pra faculdade, mas p... era preocupação!


***
...Então, explica pro meu genro (aí me pergunto se era ao Sandro que eu deveria explicar alguma coisa), que hoje é dia dos paaais, não dos mariidos e vem passar o dia com o pai...

O que pensar de tudo isso?
Fazendo todas aquelas continhas de novo, o saldo deu... positivo.
Acho é fofo demais!


(...) O meu pai era paulista
Meu avô, pernambucano
O meu bisavô, mineiro
Meu tataravô, baiano
Vou na estrada há muitos anos (...)

PARA TODOS
Chico Buarque


P.S: Mamis, você também faz parte de tudo de bom que me cerca!

sexta-feira, novembro 26

SUPER PAIS (E SUPER MÃES)



Mi, você é superprotera!
Esta foi a frase que ouvi da esposa  de um amigo (ela é terapeuta), durante um papinho rápido. 
A conversa foi boa  apesar de rápida, e mesmo assim ela conseguiu identificar isso.

Porém, olhando bem pra mim, sinto que sou apenas cuidadosa...
Brigo (se necessário) com as tias da escola, vigio o lugarzinho deles na fila do escorrega, cheiro o pezinho, admiro durante o soninho...

Imagino que minha surpresa nisso tudo, tenha sido pelo fato de nunca  ter escutado a dita frase, de um profissional. Pra mim foi estranho e engraçado.
Isso porque nós, pais e mães zelosos, sempre achamos que essa palavrinha SUPER, colocada antes de PROTETOR, é puro exagero.  Não?! (...)
No fim das contas me peguei dedicando àquela agradavél conversa, mais horas de preocupação do que eu gostaria..

Será que minha tendência é sufocar os filhotes?

Seria herança?
Coisa de primogênito?
Coisa de leonino?
Ou tudo isso junto ?

Quando os pensamentos  me fizeram tais perguntas, lembrei-me automaticamente das mãos, sempre cheias de mimo, do meu pai.
Era como se elas se materializassem na minha frente, na forma do que fosse, sempre que eu precisava... meio que O Escudo do Leônidas, de Esparta, sabe rs?
E se é verdade que somos pais e mães, COMO NOSSOS PAIS  foram...
Meu comportamento quando o assunto é maternidade, está beeem explicado.

Meu pai superprotegeu pacas (e ainda o faz se eu der  a mínima brecha...) Fez, desfez, ensinou, aconselhou, explicou, destrinchou, guiou e um pouco mais.
Um bocado do que sou hoje vem mesmo dele.

Me acompanhava todas as manhãs à escola (até o primeiro dia da faculdade, pasmem), fazia minhas tarefas de geografia  (eu odiava pintar mapas hidrográficos), me ensinou a andar de bicicleta e secava as incontáveis lágrimas depois dos sucessivos tombos com ela...

Vez ou outra ele ainda me puxa pelo braço pra uma conversa da-que-las. Começa a enfileirar conselhos, querendo me passar seus ensinamentos de pai coruja, até hoje. Os papos são longos, viu?
Com absoluta certeza, ele ainda me exerga como uma menina de 5 anos, estendendo-lhe a mão, para atravessarmos a rua (não, ele não admite que baba os filhos deslavadamente).
Certemente, seus excessos renderiam crônicas hilárias, porém impublicáveis (Theo e Sofia a mamãe promete não dar essas bolas fora... digo, juro me esforçar para isso). 


Um final de semana cheio de mimo e babação paz a todos!
Beijo

segunda-feira, novembro 22

AOS MEUS AMORES



Não quero lhe falar,
Meu grande amor,
Das coisas que aprendi
Nos discos...
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
Eu sei que
o amor
É uma
coisa boa
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor  que a vida
De qualquer pessoa...
Por isso cuidado meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram
e o sinal
Está fechado prá nós
Que somos jovens...
Para abraçar seu irmão
E beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço,
O seu lábio e a sua voz...
Você me pergunta
Pela
minha paixão
Digo que estou encantada
Como uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento
Cheiro de
nova estação
Eu sei de tudo na ferida viva
Do
meu coração...
Já faz tempo
Eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
Essa lembrança
É o quadro que dói mais...
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais...
Nossos ídolos
Ainda são os mesmos
E as aparências
Não enganam não...

Trecho de: COMO NOSSOS PAIS
Comp: Belchior

Amo Elis.
Dedico este trecho de COMO NOSSOS PAIS ao meu amor e à minha família, que me ensinam todos os dias (Pai, lembra quando você cantava essa canção pra mim? Me explicando os versos? bjo) e claro, aos meus amigos.
Uma excelente semana!
Beijo a todos!

quarta-feira, outubro 27

DE MÃE PRA FILHA

Meu relacionamento com minha mãe nunca foi lá um mar de rosas (cresci ouvindo essa definição para as coisas boas da vida: Mar de Rosas. Porém a sensação que esse termo me trazia nunca era boa... (rs). Mar de Rosas... Não que eu não goste de flores, muito pelo contrário,  mas penso que muuuitas delas juntas,  como numa onda, logo despertariam minha rinite e tudo o mais que vem junto com ela. Se uma ou outra tivesse escapulido com espinhos... bom, eu nem preciso dizer, não é?).
Mas ok. Resumindo eu e minha mãe nunca fomos de longos papos, nem muitos laços; ela nunca foi muito preocupada com aquelas questões que as mães normalmente encanam. Tudo sempre foi muito tranquilo entre nós duas, eu diria (até demais). Mas mãe é mãe e aprendi a respeitá-la. Ela me ensina, e eu a ela e vamos seguindo.

Entretanto, para mim e para a Sofia, quero tudo diferente. Muito diálogo, muitas brigas (porque até certo ponto são mais que saudáveis e sei que com ela crescemos), muita troca, amizade e amor.
Uma vez ouvi uma frase, e ela veio de uma amiga que prezo demaaais, dentro de um contexto que também não pude deixar de considerar: O FILHO QUE FOMOS PARA NOSSOS PAIS, É O FILHO QUE TEREMOS PRA GENTE... algo desse tipo. 
Embora a frase tenha me metido um medinho, me fez  refletir... depois deixei pra lá. Mas independentemente de algum viés que ela possa carregar, quero construir um caminho firme, certo pra trilharmos, minha filha e eu (hoje estou falando especificamente sobre relação de mães com filhas. Por que as vezes é tão difícil, tão diferente de nossa relação com filhos?), até onde nos for permitido chegar.

Até aqui posso me dizer feliz com o que temos construído. Sim, estou feliz. 
Às vezes ela chega em mim e diz: Mamãe, te amo. Eu me emociono. Outras vezes ela faz um desenho, pinta e me dá de presente. Também curto como o mais valioso dos mimos. Parece bobagem, ou comum entre mães e filhas nesta idade, mas como eu disse, nunco tive essa chance com minha mãe, ela se afastou um pouco antes, sempre muito reservada, meio distante...

Postei alguns desenhos da So. As imagens falam mesmo, mais que mil palavras que eu procure pra dizer de tudo isso.
Dá  pra resistir? 
Beijinho, filhota!

Ah, esse é do Theo. É a casinha encantada, segundo ele.
Já assina suas obras, rs.
Bjo filho!

Por último aquele jardinzinho fofo,
que nenhuma criança passa a infância sem fazer.
Pelo menos as meninas, né?
Lindo!
A mamãe adorou, So!

Fica também mais uma diquinha de livro para os kids. Esse foi o Theo quem trabalhou durante esse ano.

É o Jogo Jogado, da Regina Rennó.
Um joguinho super divertido com as palavras, tendo como tema central as brincadeiras de antigamente - aquelas que nós aproveitamos bastante e que não são mais tão presentes na vidinhas dos nossos pequenos.

O Theo adorou ver as pipas e bolas de gude. A Sofia curtiu o jogo do  passa anel.
E pensar que nós brincamos disso.

Fico por aqui. E vocês mamães, como se relacionam com suas filhas? Será que é lenda ou existe mesmo entre elas e os papais, um "q" de doçura mais caramelado do que conosco?

Beijos

sexta-feira, setembro 3

HERE COMES THE SUN (um post pra minha mãe)

Beatles. Banda que amo de coração, sem pensar... sentindo logo de cara. Também me lembra algumas poses dos meus pais com suas calças boca de sino, bem ao estilo hippie anos 70 (nas fotos com os dois, minha mãe estava sempre olhando-o apaixonada). Não, não foram propriamente do íntimo do Peace and Love, nem beatlemaníacos, mas  curtiram muito um período que não vivi, e com certeza meu sentimento pelos caras é herança deles. Além disso, sabemos que os Beatles influenciaram musical e culturalmente uma época, e que até hoje (já se foram quarenta anos desde Let It Be), ainda são populares, agradando à imensa maioria fã de rock, com versões mais psicodélicas e clássicas, até as mais originais.
Em casa, o vinil que quase furou foi o penúltimo: Abbey Road (famosa rua de Londres e dos estúdios de mesmo nome);
Abbey Road

Minhas lembranças meio empoeiradas mais marcantes, são duas: A primeira somos meu irmão e eu, cantando Come Together (huuummm não saia nada, né rs). Lembra, Ju?
A segunda são os nomes dos meus pais escritos na maçã, no miolo do vinil. Um de cada lado.
Eu via isso e me recordo até hoje da sensação. Achava lindo... como se  me fortalecesse pro amor e pra outras virtudes. Era romântico! Agora, pensando enquanto escrevo, acho que posso simplificar um pouco (mas só um pouquinho), isso e jogar dentro da frase: ..." é coisa de menina." ( Sim. Duvido que meu irmão se lembre desses detalhes).

Essa semana, ouvi a mesma canção pela primeira vez com meus filhos (achei poético rs). Será mais uma parte da minha história regada ao rock deles, certamente.
Bem, fora essas palpitadas do meu coraçãozinho, cantando com o Theo e a Sofia, outros dois fatos/curiosidades me inspiraram a postagem:
1. Let It Be (último álbum dos Beatles), completou quarenta anos, como mencionei antes, e a Rolling Stone americana listou as 100 melhores canções dos garotos de Liverpool.


A Day in the Life, do álbum Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, encabeça a lista.
 Considerado o mais famoso da carreira dos Beatles. Também o mais influente na história do rock.

Listei as  nove seguintes que completam um top 10 dos bons.
São elas: 
I want hold your hand, Strawberry fields forever, Yesterday, In my life, Something, Hey Jude, Let it be, Come together e While my guitar gently weeps.

O segundo e mais cintilante fato, é que em outubro, serão relançados 8 álbuns dos Beatles, em comemoração ao que seriam 70 anos de vida de John Lennon. O projeto tem a supervisão de Yoko Ono, viúva do eterno John.


O casal também apareceu na Rolling Stone Brasil mês de julho, como ícone de estilo, entre outros casais pop da época. Acho linda a imagem deles, eternizada assim... É minha veia romântica dando oi novamente!

Beijo pra você mãe. Sei que os óculos cor-de-rosa com os quais enxergo o amor, foi você quem me deu.
Beijo Amor, pra você que me inspira os dias (sempre).

quarta-feira, julho 21

ELIS...

 (Nos dava em suas interpretações seu furor ou seu candor, suas farpas ou seu lirismo, conforme fosse seu estado de espírito, de humor de mulher naquele instante).


Elis... Sempre amei. Sempre vou amar, e ouvir e redescobrir a cada momento. Isso não apenas por ter sido uma das maiores e melhores intérpretes de todos os tempos ( referência vocal para muitos, quando o assunto é MPB/Bossa, apesar de nosso amado e vasto Brasil, carregar incontáveis talentos), mas especialmente porque sua voz em canções das mais diversas, embalou minha infância. Contei um episódio engraçado sobre isso neste post.
Lembro-me ainda, de mim  meninota andando pelas ruas largas do centro de São Paulo, de mãos dadas com meu pai, procurando pelos vinis da Elis. E andávamos que só pra pesquisarmos os preços; minha mãe brinca que sair pra comprar com meu pai significava gastar as solas dos sapatos (rs). Mas era pra lá de divertido, eu comia pipoca doce e às vezes ganhava aquelas  fitas cassete pout-pourri de músicas infantis, e achava o máximo.
Em  casa, ouvíamos as músicas preferidas dele, talvez as que lhe trouxesse recordações, ou as que o ajudasse a passar para o meu coração de criança curiosa, as lições que ele desejava me ensinar... 
Elis... Cresci junto dela, me emocionando com Como Nossos Pais (não sei se meu emotivo ou meu racional é que sente o que ela canta nesses versos, mas pra mim é uma das mais lindas referências à vida, amor e sonhos), cantarolando Casa no Campo, me imaginando num novo rumo, adentrando novidades ensolaradas, com  Nada Será Como Antes...
E o tempo passou. Muitos domingos, ventanias, descanso, anseios...
Hoje ouço Elis com emoção, com sabor de infância, segurando ainda as mãos dos meus pais, embalando com a outra, as mãos dos meus filhos.

quarta-feira, junho 9

EU, MEU PAI E A INFÂNCIA

Na adolescência, quando convivia muito mais com meu pai, às vezes saíamos pra passear; parque, cinema, viagens...
Sempre que víamos um grupo de crianças brincando ele dizia, com uma certa nostalgia:
Infância, melhor fase da vida!
Eu nem ligava, não entendia, já que eu estava era curtindo minha adolescência, muito bem obrigada...
...e pensava:
O que? Melhor fase da vida é essa que eu estou (apesar de ter tido uma infância perfeita, brincado tudo o que poderia brincar, aprontado e curtido como verdadeiros peraltas, meu irmão e eu), tá ótimo ser teen.
Depois o tempo passou, o primeiro barquinho família, aquele que os pais remam pra gente, ficou pra trás. Tomei o segundo, o que eu remaria. E remando vibrava em pensamentos pra encontrar logo alguém que remasse comigo, me levando pra bem longe daquele primeiro, só pra saudade não doer tanto,nem o medo e a insegurança formarem correntezas muito forte pra esse novo barquinho...
E eu segui, remando até o que seria minha nova família, cheia de alegria e um novo ritmo e contexto, em meio a cores que o Sandro eu escolheríamos segundo nossa vontade, segundo nossos corações. E seguimos. Hoje dividimos tudo o que estamos "renovando e colorindo", com o Theo e a  Sofia, e está tudo ficando perfeito, é o ciclo que segue. Porém hoje, (claro que isso já aconteceu muuuuitas vezes), deu saudade dos amigos que ficaram pra trás, deu saudade da infância, que já digo aos meus filhos: É a melhor fase da vida!
Te Amo Pai!
Brincar com a melhor amiguinha. Tudo de bom!

Quem nunca fez isso? rs

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