Envelhecer... definitivamente não sou boa nisso. Não o quanto eu realmente gostaria de ser.
Não sei lidar com o tempo e as horas, batendo asas tão ligeiras, que quase não me permitem enxergar alguns detalhes do meu dia, do meu ser e do meu próprio caminho.
Apesar disso, acho a palavra tão bonita. Envelhecer traz para o meu coração a sensação de paz infinita, de sossego, de descanso nas certezas (quando jovens, somos demais ansiosos, cheios de dúvidas, de questões que nos atormentam)...
É como um lugar que quero chegar para me sentar na varanda, ver o mix de cores de vários pores de sol e sentí-los e agradecer e sorrir... ao mesmo tempo, é uma estação misteriosa essa, que sem dúvida me mete medo; talvez por ter que trabalhar com um questão que deixa de ser menos hipotética: a morte, essa viagem cheia do desconhecido que é sempre angustiante para o coração humano (eu acho).
O passar do tempo é algo que pode ser infinitamente desgastante, um quadro sem cores caso não saibamos lidar com isso desde sempre, sobretudo vivendo uma cultura como a nossa, onde o parecer ser e o ter, são muito mais valiosos que o fazer... que o fazer pelo próximo, que o angariar para o espírito.
Sinto (e lamento) que em algum momento, não sei por quais razões, assimilamos o sentido de nossa existência de modo equivocado, assumindo sentimentos como o orgulho por exemplo, como sistema de defesa, desencadeando outros traços extremamente nocivos e negativos para nós mesmos. E assim a sabedoria que o correr do relógio da vida nos acrescenta, fica esquecida, em detrimento à coisas materiais e outras conquistas efêmeras; a sutileza dessa beleza aprimorada é tão pouco sentida e compreendida, que quando desembarcamos na fase "madura", sentimo-nos muitas vezes perdidos em nossos próprios questionamentos.
A velhice deve nos trazer consciência de que o mais relevante é o ser, o aprimoramento espiritual/moral (não necessariamente o religioso), que atingimos. Aquilo que de verdade carregaremos como conquista eterna. Somente assim poderemos colher os bons frutos da nossa passagem pela vida e saboreá-los de boca cheia junto dos que queremos à nossa volta, sem temores, sem dúvidas.
Texto inspirado no papo de domingo, entre minha cunhada e eu, depois de longos devaneios sobre o desenvolvimento dos nossos filhotes (eles vão crescendo e vamos nos sentindo mais velhos).