quinta-feira, junho 7

Nós



"...A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade..."
Clarice Lispector 


Houve um tempo  em que eu insistia em buscar o que mais gostava de fazer; Ou conviver, ou estudar sobre, ou falar sobre... Amante de moda, de arte, de fotografia, de paisagismo, de propaganda... Um desassossego que parece meio estranho, para a maioria, pelo menos.
Depois de vivenciar  um pouco de tudo, estudando, pesquisando, tentando direcionar meu coração para o que ele entendesse como predileto, desisti. Quanto mais eu me envolvia, quanto mais eu me enfiava em orquidários, ia a eventos de moda, ou lesse e estudasse sobre fotografia, mais eu adorava tudo.
Dos anos nas agências de propaganda tenho memórias impagáveis. Do que conheci, das pessoas, dos amigos, das surpresas... Carrego como ouro, como algo que está aqui, que me habita e contorna minhas escolhas e preferências, de algum modo...
E o tempo vai correndo. Queremos mais e mais...
De tudo, me surpreendi e me surpreendo a todo tempo, com a maternidade. Com a presença doce do Theo e da Sofia; com seus sorrisos e frases que me arrebatam. Todos os dias.
Há quem diga que amor de mãe é tanto, que dói, que paralisa. E paralisa mesmo.
Vida de mãe é missão, é um compromisso que envolve desde o prazer até o sofrer, passando por consolar, ensinar, formar, conceder, harmonizar e mais tantas outras coisas.
É, dá um trabalhão. Sem horários, sem descanso. No entanto, é o que mais acresce, é o que mais prepara, mais fortalece. Por hora, mesmo acalentando  muitos projetos, fotografando uma ou outra coisa e flertando com outros mil e um assuntos atraentes,  estou engajadíssima em ser toda deles, dos meus filhos Theo e Sofia.
E você, o que mais gosta de fazer?


Ser mãe... coisa encantadora. Enlouquecedoramente maravilhosa! 




segunda-feira, junho 4

Não. Eu não sabia... mas estou aprendendo. E muito




A vida ensina. Mesmo quando teimamos um pouquinho ou preferimos nos fazer reféns daquela preguicinha, que sim, às vezes é pra lá de insistente.
Por aqui chegamos numa fase que aprendemos com tudo. Acertos, tentativas, exemplos e, especialmente, erros e posturas "defeituosas".  Aquela coisa do corpo  mole, do defensivismo exagerado, da mania de omitir, do comodismo... Acho super chato e, inevitavelmente, me decepciono. É claro que, lá fora, existem também muitíssimas coisas boas, tantas pessoas especiais, como fala Vanessa da Mata quando canta Boa Sorte.
Isso anima. Fazemos planos, nos enchemos de energia e super pensamentos para afastar o que não é tão bacana, consertar o que está gasto e, aos poucos, renovar tudo. Tudinho. E nessa levada, têm coisas mais simples, mais enroladas, enigmáticas. Algumas situações tiramos de letra, outras parecem nos  empatar por fases e mais fases... 
Meu avô costumava dizer que tudo faz parte da vida... Quando me via meio quieta, ou triste, tratava logo de dizer que já ia passar e perguntava:  - Filha, quer umas balas? E pronto, estava tudo resolvido com aquele doce, com aquele mimo!
Há momentos onde tudo o que precisamos é de calor, de força e de cuidado. Tudo isso nos faz resgatar coisas importantes e muitas vezes decisivas, para sairmos livres e melhores de determinadas "guerras". E depois de um tempo fica menos complicado enxergar tudo o que se ganhou, apesar da luta. Sem contar que a vida tem ainda várias surpresas boas. Várias.
Dia desses, conheci a Gisele Leal. Impossível resumir o que sinto em relação à Gi. Foi nestes "acasos", nestas surpresas perfeitas que ganhamos como presente.  Já aprendi muito sobre amor e sobre luta com ela e sei que ainda há muito mais por vir.
Amigos e família. Com eles fica menos sofrido atravessar uma dor, os medos, as incertezas. A gente se enche de  poder (não é, Gi?) e passa por qualquer fase, por qualquer inverno. Mesmo os mais frios. 


segunda-feira, maio 21

Verdadeiro legado

Imagem: Quadro Pipas - Cândido Portinari


Este mês a revista Elle trouxe um suplemento especial sobre Alexandre Herchcovitch; contando um pouco de sua infância, adolescência e início de carreira, assinalando fatos e pessoas marcantes em sua vida.
Amei. Porém, mais que falar sobre este estilista consagrado, os textos me inspiraram a falar mais e mais sobre mulheres, mães e filhos, suas relações, sua força e importância mútuas; Especialmente por esta parte: Regina Herchcovitch soube como poucas, estimular a vocação do filho.

Pensei em muitas coisas. No amor que, incondicionalmente, dedicamos aos filhos, nos ensinamentos que queremos deixar, nas maravilhas dessa convivência e nas tantas cobranças que tudo isso pode gerar.
Queremos que eles compreendam as coisas, que alcancem seus sonhos, que sejam fortes, que se tornem homens de bem... 
Vez ou outra, nas conversas com as amigas, falamos sobre isso; sobre como preparar e fortalecer nossas crianças na medida. Sem sufocar, sem cansá-las, e sim, cuidar para que seus dons e vocações, aos poucos, aflorem e assim, possam entender e cultivar as coisas que gostam e  as fazem felizes e tranquilas.
Também sou cheia de papos com o Theo e a Sofia. Sim, às vezes rolam umas broncas, umas maluquices de mãe, mas na essência, nosso tempo juntos é de muita conversa. Quase todos os dias.

Esta semana quis fazer diferente.
Regina Herchcovitch? Não sei... Sei que chamei os dois e disse para eles que guardassem alguns segredinhos no coração, pois com aquilo, muita coisa seria mais fácil e mais legal!  E falei para que fossem pacientes, estudiosos, bons amigos e mais todos aqueles cuidados de mãe, que já ouvíamos das nossas.

Cada um saiu dali como quem guardasse segredos super valiosos. Cada um a seu modo.
E foi bom resumir o que seria mais uma longa conversa, em alguns "combinados" entre a gente. Como algo nosso, de parceiros verdadeiros.
Se minha figura materna será sempre marcante para meus filhos, também não sei, mas acredito que o que estamos construindo e firmando juntos, fará toda  a diferença na vida deles. Para muitas coisas.


quinta-feira, maio 17

Projetos



Sempre que podemos, marido e eu paramos para conversar sobre nossos projetos (minha inquietação e ansiedade juntas, produzem uma quantidade absurda deles)... coisas que gostamos, que sonhamos, que queremos conquistar (...) é muito gostoso. Em alguns momentos ele precisa me frear, ou, no mínimo, rir comigo de alguns devaneios.
São os filhos, (se possível continuar alimentando o sonho de mais um), os paparicos... reformar a casa, comprar uma nova. Estudar, conhecer outras culturas, viajar sem fim... fotografar essas belezas... da família, do Brasil, do mundo, das novidades... Aprender a cozinhar, cortar os cabelos, abraçar uma causa, escrever meu livro...
São planos infinitos...

É, quando falo em projetos, particularmente, idealizo tudo perfeitinho, bem arquitetado; me preocupo um pouco demais.

(Uma vez falei um pouquinho sobre isso aqui no blog, o quê (muitos) planos e expectativas podem envolver, o quanto realmente conseguimos ou podemos controlar no desenrolar desses processos... Acho complicado; acabo sempre questionando se é melhor seguir um guia de medidas à risca, fazer bonitinho, como manda o figurino, ou deixar o barco correr... Meio termo? Qual seria?)
Mas questionamentos a parte, falar sobre o que já construímos, aprendemos e, acima de tudo, sobre o que sonhamos, é muito positivo. No geral, areja, norteia e nos reabastece. Sem contar que sempre crescemos com estes estímos, com estas possíveis mudanças que os projetos carregam. Dá uma trabalheira danada, exige, causa medo... mas quando acontecem, acabam  nos modificando e, no final, trazendo coisas boas.

Eu costumo pensar muito, pesar tudo e, sim, exagero. Tenho mil ideias, quero realizar tudo e com cautela total; por essa razão, aprendi parar e entregar, pelo menos, uma parte do que pretendo, nas mãozinhas do  destino. Batalhar, mas confiar. Dá uma cara mais tranquila a tudo e modera minha ansiedade.

E nesse trajeto meio incerto - que percorremos com o coração cheio de desejos - o melhor de tudo acaba sendo o próprio caminho ao encontro de cada sonho; a subida íngreme e todo o aprendizado que eles nos dão como belos presentes.  Depois,  quando chegamos lá, começa tudo de novo. Não é bom?
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