segunda-feira, junho 28

DIÁRIOS DE ANA

...Vendo e ouvindo as cenas complexas e misturadas de sua vida, Ana escrevia seus diários. Na verdade tentava...
Encontrava dificuldade em interpretar algumas situações, pessoas, amigos e a própria família; Equivocadamente ou não, achava que deveria interpretá-los, fazer uma leitura daquilo tudo, para que houvesse o mínimo de compreensão de sua própria vida.
Nesse mix vivo encontrava risos, rostos emocionados, romances e surpresas. Nas crianças que a rodeavam, graça, alegria e cores combinadas às brincadeiras barulhentas. Ansiedade... mas ansiedade gostosa, comum da infância, que quer ir logo às últimas páginas do livrinho de leitura ou à cena seguinte do filme.
No homem da casa tudo medido... carinho e cuidado precisos. Pensava Ana, que somente um coração que recebera muito amor poderia ser tão generoso e companheiro. Prometera a si mesma, um dia entender tanta dedicação.
Por hora tudo aquilo parecia-lhe bom e parecia demais; Por muito tempo não entendeu, chorou e recusou. Culpou-se, achou que não mereceu. Culpou-se mais. 
Absorta em seus pensamentos e conflitos, refugiava-se entre flores, cores e verdes... alimentando-se do que, aparentemente, eram apenas sonhos e fuga; ali ela vivia quase alheia, pequena, porém entendia-se protegida.
De dentro desse íntimo, a sensação de estranheza, de tristeza era grande, para ela ainda havia algo maior a ser compreendido, para que  pudesse ser aceito.
Chorava.
Esperava.
Durante algum tempo, teve a certeza clara de que apenas esperava. Que o mundo girasse, que ao seu redor mudasse, que as circunstâncias ajudassem.
Por muito tempo assim permaneceu, sem arriscar.
Sonhava.
Contudo, num encontro inesperado com uma amiga querida, daquelas que dizem sim, antes mesmo de ouvir o pedido ou a pergunta, recebeu um afago, recebeu palavras que aclararam o que ela julgava ser noite; verdadeiramente, nem se importava mais se o sol nasceria ou se continuaria a chuva, ajudando-a a encobrir as lágrimas.
Naquela tarde sorriu  e milagrosamente acreditou, como se cada palavra fosse um gole de alento...entendeu que ali, talvez estivesse dando o primeiro passo... e o que aprendera, seria suficiente para sustentá-la por algum tempo, até que tudo se ajeitasse permanentemente.

8 comentários:

Deia disse...

Mi, que história linda! Suave, melancólica, mas que, ao final, deu uma guinada de esperança e superação que são tão necessários aos contos! Acho que descobri uma parceira na arte de contar histórias! Parabéns, querida, fiquei embevecida... Um beijo prá lá de carinhoso, Deia.

Ester disse...

Querida amiga,

é sempre surpreendente a leitura de diários, pois são corações abertos, emoções expostas, sentimentos compartilhados, e não é uma coisa que lemos com frequência, por ser algo muito pessoal.
Um conto bem escrito com a dose certa de emoção, de partilha, que aproxima a escrita do leitor,

Muito bom! Bjks!

Michelle Crístal disse...

Linda e como o blog sugere poético... Digna de estar em um livro, nunca pensou que talvez Ana pudesse escrever um!
Beijos

Mi Satake disse...

Meninas, obrigadíssima!

Tenho me dedicado muito, pra cada coisinha, cada assunto sair da melhor forma possível.
Fico lisonjeada de receber elogios de todas vcs, blogueiras/escritoras de mão cheia!

Beijuuusssssss

Chica disse...

Que lindo teu jeito de escrever...Nos levas contigo na história.Adorei!um beijo,tudo de bom,lindo dia,chica

Andrea Pagano disse...

Mi, bom dia!
Lindo seu texto,senti a menina tímida, mas com profundo desejo de conhecer, explorar, sentir...
É muito bom sonhar através das palavras, torna-las acessíveis a todo tipo de coração, criar, relatar, encontrar os felizes e os tistes...Muito bom!
Querida, tanto carinho, vc também é uma vencedora, sabe disso! Tem mãe que desencoraja os filhos porque dentro delas, há o temor da vida, há o temor de sentir coisas boas e compartilhar o bem...Mas são os medos...
Que bom que encontrou alguém que pudesse acreditar em vc! Deus é tão bom e graças a Ele, coloca pessoas assim maravilhosas em nossa vida!
Parabéns!
Beijos e mais uma vez obrigada!

Jaque Bresolin disse...

Amiga querida,
que lindas palavras...amei ler esse conto/crônica...lembrei de quando fazia meus diários...ai que coisa maravilhosa...caia pra dentro dele, colocava fotos, tickets de cinema e shows...AMO DIÁRIOS...Amei teu texto.
Obrigada por me fazer sonhar com palavras tão lindas em poucos parágrafos.
Bjo no coração
Jaque

Mi Satake disse...

Ah, somos, no fundo, no fundo, umas românticas mesmo... é isso!
Fazer o que, né meninas rs.


Beijão pra vcs!!

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