quarta-feira, julho 14

O ENCONTRO COM DIANA

Frio. Fim de tarde cinzento, desses de outono. Pela falta de cores no céu, a noite chegaria gelada, pensava Ana olhando para o alto.
Sempre agitada entre seus afazeres, parecia correr atrás das horas, no afã de dar primeiro a volta no relógio. Apesar disso dizia-se equilibrada; toda agitatação era circunstancial... tola ela, na tentativa de enganar-se.
Respirou.
Ainda agitada, passava os olhos em tudo que a esperava fora do lugar. Incomodava-se. Organizava seu espaço, como se organizasse a própria vida, correndo incessantemente, inutilmente. Tentava ocupar-se da leitura que arrastava há meses. Lá fora, o tum tum tum da obra vizinha e os cães que latiam em coro, somavam-lhe mais inquietação.
Na cabeça ocupada de Ana, cuja mente estava há léguas do livro aberto em vão, eram muitos os pensamentos, as vontades embaralhadas, as inseguranças. Nesses momentos o sono entorpeci-lhe como remédio eficaz. 
Porém naquela tarde, uma voz aguda cortara o silêncio de suas angústias:
- Ana, tem visita. Era sua mãe, que andava pelos corredores da casa.
Espantou-se.
Diana veio ver-lhe...
Um sorriso ansioso ocupou o lugar da feição preocuda.
Diana era uma amiga de  muito tempo.
-Bom ver-te, disse Ana! Pensando na supresa que os ventos frios do dia, haviam lhe preparado.
Sentaram-se.
Olhavam-se. Os sorrisos alegres colocavam brilho nos olhares contentes, ainda meio sem graça.
Conversaram entusiasmadas como que quisessem aproveitar aquele fiapo de tarde, e naquelas poucas horas, falar tudo o que não falavam há muito. Assim, contaram da vida, dos filhos, do fortuito...alegraram-se com as conquistas, esperançaram-se para o dia que as acordaria dali a algumas horas. 
Contaram as rugas de seus sorrisos, que insistiam em participar do diálogo. Aquilo era mais que novidade para ambas, um detalhe que preferiam encarar como atributo do tempo e da vida, nada mais.
A noite caiu leve,contrariando as previsões de Ana.
Abraçaram-se calorosamente, despedindo-se ainda tímidas uma da outra, contudo carregadas de felicidade, como se os momentos há pouco trocados tivessem sido o que procuravam, sem sequer imaginarem, e mais que isso, como algo que  deixaria os portões abertos para aquela amizade pura de sempre.
Ana sorria...

12 comentários:

Deia disse...

Mi, o poder das amizades... Essas que são assim mesmo: tempos sem se encontrarem, mas, ao se reverem, falam com uma voracidade dos anos de escola! Amizades para uma vida inteira... Adorei a Ana! Ela deveria sorrir mais vezes! Um beijão!! Deia

Albuq disse...

Ahh como é bom reencontrar os amigos, conversar, contar a vida, sentir-se agraciado com a amizade que ainda vive... lindo! amei!

bjs

Amanda Luna disse...

ai que legalll este texto.. a amizade é tudo né? amigos verdadeiros que ficam com o passar do tempo, são pouco, mas são o que valem a pena de se rever, sorrir e, abraçar!!!!
Beijão
sermulhereomaximo.blogspot.com

Ester disse...

Oi Mi,

que lindo encontrá-la com um texto trico e cheio de significado!
Amizade verdadeira é uma das coisas que mais prezo nesta vida,

Então, estava com tudo prontinho para sair de férias, mas não fui,

às vezes também tiro férias de escrever, de mim, de minhas idéias e volto refeita, como é o caso agora,

bom revê-la, amiga!


Afetuoso abraço!!

Ester disse...

*digo Rico, não trico..rs

Mi Satake disse...

Amigas,

Amizade, amor, são temas q acabo falando sempre por aqui, e como são entrelaçados esses assuntos.

Bom falar de amigos, de infância de família neh?

Que bom q estão por aqui tb, como sempre. Adoro vcs!
Ester, acho q a medida do nosso equilibrio, as vezes passa mesmo por um recolhimento né, reflexões essas coisas.
Legal q está de volta.

UM bjão

Carol disse...

Mi, amei ler sobre amizade aqui neste post, e mais ainda do post lá embaixo da amizade entre irmãos. Liiiindo demais!!!! Super afetuoso.
Ah, muito obrigada por estar sempre no Clube Sapeca. Adoro suas visitas!
Bjo,bjo,bjos.
Carol Macedo.

Betty Gaeta disse...

Oi Mi,
Que história linda! Acho que as verdadeiras amizades não morrem.
Sobre Pollock. Eu conheço Pollock e tb a biografia dele, mas eu faço o blog para todo mundo, não apenas para mim. Acho que Pollock nem sempre é compreensível para todos, daí estar evitando este tipo de pintor. Um dos meus pintores favoritos é Miró, mas não vou colocá-lo, pois tb é difícil.
Outra coisa, tenho trabalhado só com pintores vivos, não com os que já morreram.
Mas adoro Pollock e é bom saber que não sou só eu que gosto.
Bjkas eboa noite.

Luma Rosa disse...

Afinal, o dia frio e cinzento teve uma ótimo desfecho!! ;) Beijus,

Andrea Pagano disse...

Oi Mi,
Amizades são tão preciosas, aqui em Campinas o pessoal é mais fechado, difícil fazer amizades, então sinto falta de Sampa, quando conversava mais com as pessoas...
Muito bom quando alguem vem nos aquecer a alma e o coração...
Bjs,

Pietra Malagueta disse...

Mi eu gostaria de conhecer a sua filha Sofia
muito obrigada bjs pietra

Mi Satake disse...

Meninas, obrigasíssima pela visita. E neste post tive uma especial, né? A fofa da Pietra!
Volta sempre que quiser, ta Pietra?

Bjs a todas!

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